Foi Apenas um Sonho
26/05/2009 | Categoria: DVDReencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet é um estudo meticuloso do vazio existencial que toma conta dos casais depois que a paixão vai embora e a rotina se instala
Por: Rodrigo Carreiro
NOTA DO EDITOR: 




O principal motivo pelo qual as pessoas desejam ver “Foi Apenas um Sonho” (Revolutionary Road, EUA, 2008) é a realização de uma fantasia que habitou o inconsciente coletivo de toda uma geração durante uma década: o reencontro dos astros Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, par romântico de “Titanic” (1997), filme de maior bilheteria em todos os tempos. É a razão errada para que as pessoas assistam ao trabalho de Sam Mendes. Aqueles que encararem o filme como uma oportunidade de ver concretizado o romance que a tragédia do transatlântico impediu terão uma tremenda decepção. Ou melhor, serão brutalmente puxados de volta à realidade dura da vida comum. Porque “Foi Apenas um Sonho” é um estudo meticuloso do vazio existencial que toma conta dos casais depois que a euforia da paixão vai embora e a rotina se instala.
O longa-metragem é baseado em um romance de sucesso, publicado por Richard Yates em 1961. A novela focaliza o apocalipse conjugal de um casamento típico de integrantes da classe média norte-americana. Abrindo caminho através de um enredo amargo e angustiante, Yates foi capaz de encapsular toda a melancolia que existe por trás da paisagem idílica do subúrbio típico dos EUA – aquelas casas amplas, sem cercas, com gramados verdejantes e balanços dependurados nas árvores, onde as famílias burguesas vivem habitualmente, nos arredores das grandes cidades. Trata-se de um clássico contemporâneo da literatura dos EUA, um romance respeitado em todos os círculos intelectuais, eleito em 2005 pelos críticos da revista Time como um dos 100 livros mais importantes do século XX. Uma obra assim, claro, teria que receber em Hollywood um tratamento solene com a palavra “Oscar” carimbada em cada centímetro de celulóide. E assim foi feito.
Esta roupagem de Oscar é um elemento que pode, simultaneamente, atrair e provocar repulsa em porções distintas do público. Muita gente vai ao cinema exatamente para conferir esse tipo de produção. Outro tanto deixa de ir pela mesma razão. Ambos estão errados. Boas histórias, que lidam com temas importantes, podem ser feitas com migalhas ou fortunas. O que importa, na realidade, é o calibre da equipe criativa envolvida. E talento é algo que “Foi Apenas um Sonho” tem de sobra. Ele está expresso, por exemplo, nos desempenhos extraordinários da dupla Winslet-DiCaprio, que aproveita a química adquirida nos sets de “Titanic” (eles se tornaram amigos depois dali) para dar vida a um par de personagens absolutamente consistentes, genuínos, verdadeiros. Ao longo das duas horas de projeção, ambos são corroídos por um drama pungente, por circunstâncias sociais que amarram uma camisa-de-força cada vez mais apertada em torno de um casamento claramente fracassado.
Frank Wheller (DiCaprio) é um vendedor de seguros insatisfeito com o emprego, embora o salário razoável lhe permita sustentar uma vida confortável para a mulher April (Winslet) e os dois filhos. Ela é uma atriz frustrada que não deu certo na carreira e se tornou dona-de-casa. A trama de passa em Connecticut (EUA), em 1955. O casamento não vai bem. Sam Mendes expressa isso através de tomadas longas que ilustram visualmente a rotina chata da vida do casal. Uma seqüência especialmente plena de significados mostra Frank indo para o trabalho. Ele desce do trem no meio de uma multidão de trabalhadores como ele, todos vestidos da mesma maneira – ternos e chapéus cinza, camisas brancas, gravatas pretas, pastas negras na mão direita, jornal debaixo do braço. O recado é claro: ele é igual a todo mundo. Nem melhor, nem pior. E não há nada mais frustrante, para alguém que se acha especial, descobrir que nada tem de extraordinário.
O tema do vazio existencial da classe média norte-americana é expressado na história através de um conflito universal. Frank e April, como milhões de pessoas ao redor do mundo, seguem construindo para si uma vida guiada por necessidades práticas, que pouco a pouco os afastam dos sonhos e desejos mais íntimos. O conflito que move os personagens é reconhecível por qualquer pessoa comum: o que fazer quando percebemos que somos prisioneiros de uma vida da qual não gostamos? Devemos sacrificar uma existência confortável em nome de desejos secretos que talvez não sejamos capazes de realizar? Ou é melhor enfrentar a realidade com os olhos abertos, deixar os sonhos para os devaneios íntimos na hora do chuveiro e usufruir o conforto daquilo que conquistamos, mesmo sem prazer? É melhor brilhar como fogo e sumir rápido ou desvanecer aos poucos?
O retrato traçado por Sam Mendes, que vem se especializando na crônica afiada da vida suburbana nos EUA (são abundantes os pontos de contato entre “Foi Apenas um Sonho” e “Beleza Americana”, a vitoriosa estréia cinematográfica do diretor), nos mergulha na intimidade do casal, fazendo-nos compartilhar com eles a angústia de uma situação para a qual não existe solução sem dor e perdas. Em certo momento, Frank e April se entregam à fantasia (infantil?) de largar tudo e ir morar em Paris, decisão corajosa que provoca inveja e admiração em todo o círculo de amizades do casal. Só que a realidade logo os traz de volta à vida. O roteiro, escrito por Justin Haythe, inclui um coadjuvante importante (interpretado com vigor por Michael Shannon), cuja função narrativa é comentar criticamente os duros dilemas enfrentados pelo casal, convenientemente em cenas que se passam durante jantares de sorrisos falsos, um dos clichês mais comuns dentro das crônicas de costumes realizadas nos EUA.
Sam Mendes, que veio do teatro, mostra ser um homem dos palcos. Sua maior virtude é a direção de atores, todos perfeitamente integrados aos respectivos papéis. A direção de arte também funciona muito bem, especialmente graças à caprichada paleta de cores neutras, em tons pastéis, escolhida para a ambientação do filme. Todos os cenários (curiosamente, grande parte do longa foi feito em locações reais, o que valoriza ainda mais o trabalho do fotógrafo Roger Deakins e da equipe do design de produção) são dominados por cores mornas, amorfas – cinzas e marrons sem brilho, sem fogo, sem intensidade. Nada de cores vivas que expressem emoções fortes, como vermelhos e amarelos. Essas cores são intencionalmente eliminadas das imagens, de forma que a atmosfera do mundo dos Wheller reflita visualmente a rotina preto-e-branco de suas vidas. Apenas a personagem de Kate Winslet quebra essa regra. As tonalidades verdes e azuis dos vestidos ainda são discretos, mas parecem implorar para aparecer, embora sem conseguir. Exatamente como a personagem.
O diretor demonstra sutileza na condução do roteiro, ao realizar uma bem disfarçada mudança de ponto de vista no meio do segundo ato. A narrativa, até então mostrada do ponto de vista do homem, subitamente muda para o ponto de vista da mulher, a partir de certo acontecimento que altera radicalmente o rumo da história. Mendes também usa o som de maneira criativa, seja na construção de um universo sonoro que remeta o espectador à década de 1950 (com canções incidentais e também com a discreta e inquietante trilha sonora de Thomas Newman), seja realçando silêncios (como na tomada final) ou amplificando ruídos para enfatizar aspectos emocionais da narrativa. Um dos melhores exemplos está logo no início, na longa tomada que mostra o casal indo embora do teatro, após a fracassada apresentação que sepulta a carreira de atriz de April. Eles atravessam um longo corredor em silêncio. A câmera baixa, junto ao som ribombante dos passos de ambos, injeta na cena uma dramaticidade quase insuportável. Em um único plano, percebemos que a grande tragédia desses personagens é que eles pensam que se amam, mas não. Eles não se amam. E aprenderão isso da maneira mais dolorosa possível.
“Foi Apenas um Sonho” não é um filme perfeito. Toda a construção dramática, desde os diálogos até os figurinos, se apóia na estética clássica – solene, austera, auto-importante – dos filmes que almejam a lista final dos concorrentes ao Oscar. Isto não é algo intrinsecamente ruim, mas se intromete na relação de empatia entre o público e o filme, como uma cortina de fumaça que não nos deixa imergir na narrativa. Para a identificação da platéia com um longa, isso nunca é bom. Cinéfilos mais experientes tendem a descartar filmes assim. Além disso, é de se esperar certa rejeição, por parte do espectador comum. Afinal de contas, o tão esperado reencontro da dupla Winslet-DiCaprio acontece em bases bem diferentes do romance idealizado típico de um melodrama hollywoodiano. Para quem gosta de sonhar, “Foi Apenas um Sonho” vai parecer um pomposo e bem executado pesadelo de duas horas de duração. E para a carreira comercial de um filme, isso também não costuma ser bom.
O DVD da Paramount traz o filme com razão de aspecto original (widescreen anamórfica) e áudio em seis canais (Dolby Digital 5.1).
- Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, EUA, 2008)
Direção: Sam Mendes
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Michael Shannon, Kathy Bates
Duração: 119 minutos

(33 votos. Média de 4,24 em 5)


já se sabe data de estréia?
“estudo meticuloso do vazio existencial…”, “drama pungente”, “personagens consistentes” são caracteristicas autoevidentes do filme, assim como a sinopse o é tambem , ao passo que em uma leitura do filme se pergunta (e responde) à que se refere, na estrutura da realidade, estas observações?Se ele é um “estudo meticuloso do vazio existencial” , quais sao as estruturas e o carater deste “estudo”?Quais são os equivalentes na ordem dos fatos, dos quais a historia do filme (enquanto artificio de expor possibilidades humanas), são encarregados de simbolizar?Esta deveria ser a função de uma critica que se preze.Para voce entender do que eu estou falando, de uma olhada nesta critica primorosa do filme Aurora, do Murneau : http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/aurora.htm
Aquilo sim que é uma critica que ” ajudar o leitor a entendê-lo e construí-lo dentro de sua cabeça.”
Bom, acontece que eu não gosto dela. Hitchcock costumava dizer que os piores críticos de cinema eram aqueles que confundiam cinema com literatura, e ficavam tentando mastigar o enredo até o bagaço. Cinema pra mim não é isso. E nem crítica. Desse jeito, não sobra nenhum espaço para o leitor pensar por si mesmo. Alguém já “decifrou”o filme inteiro pra ele.
E com que arrogância, por sinal. No seu lugar, eu não escreveria frases como “Esta deveria ser a função de uma crítica que se preze”. Nem você, nem Olavo de Carvalho, Eisenstein, Hitchcock ou Sam Mendes têm o dom onipotente de decidir qual deve ser a função da crítica. Uns adoram, outros odeiam, e a vida continua.
Ah, “Aurora” é mesmo um filmaço. E o nome do cineasta é Murnau.
Ah!Provavelmente estou diante do novo messias, afinal, voce deve ter este tal “dom onipotente”, segundo suas proprias( e paradoxais) palavras:
“Para mim, a função de uma crítica não é dizer se o filme é bom ou ruim; é ajudar o leitor a entendê-lo e construí-lo dentro de sua cabeça.”
“Nem você, nem Olavo de Carvalho, Eisenstein, Hitchcock ou Sam Mendes têm o dom onipotente de decidir qual deve ser a função da crítica.”
Depois deste exemplo do seu raciocinio coerente e manifestadamente lógico, você não espera que alguem dê credito as coisas que você diz, não é?
Sobre a minha “contradição”: não sei se você notou, mas a primeira frase minha que você citou começa assim: “para mim…”. Vou até me repetir: para mim, isso tem toda importância. Esta é a minha visão sobre a função da crítica. Não é a única. Você tem outra. Simples assim.
Já estou esperando a hora de ver este filme. Adoro Beleza Americana também!
Parabéns pelo site. Ao lado de Pablo Villaça, vc é o crítico que mais gosto de ler.
Um abraço,
Marcos
Tenham dó. Logo quem, o caçador de vampiros comunistas do além, que vê stalinismo até nas revistinhas da Mônica?
Não Rodrigo, o que OdeC escreveu sobre Eisenstein, ao menos para ele e seus admiradores, não é piada. Na verdade, a piada é o próprio autor da crítica, autointitulado filósofo e candidato a substituto, nos meios “intelectuais”, da saudosa Dercy Gonçalves.
Logicamente, OdeC tem todo o direito do mundo de gostar do que quiser no cinema, bem como de expressar seu juízo a respeito disso, carregando no discurso ideologicamente tendencioso ou não. Por outro lado, me sinto no direito, assim como outros devem se sentir, de “não dar crédito” às opiniões de alguém que toma por dogma o que as opiniões de uma pessoa que julgue, aí sim, onipotente – caso do Roberto em relação ao seu “professor de Deus”.
Olavo ainda hoje teme a “ditadura comunista”, a Rede Globo Comunista, a mídia comunista, a Polícia Federal comunista do Brasil. Mas e como seria o mundinho autoritário dele e dos seus? Poderia um cidadão comum elaborar um blog e emitir suas opiniões sem ser interpelado por sua polícia da perfeição?
Tudo isso era só uma piada, não um sonho.
A propósito, gostei de sua resenha, por sinal bem acessível aos pobre mortais, assim como de democrático blog.
Yury, já percebeu que o Olavo de Carvalho é o Reinaldo de Azevedo sem o chapéu?
Ainda não assisti, mas foi ótimo ler a crítica para entender o que realmente o filme representa. Confesso que fiquei um pouco assustada com o trecho “Para quem gosta de sonhar, “Foi Apenas um Sonho” vai parecer um pomposo e bem executado pesadelo de duas horas de duração” , já que adoro filmes românticos e com finais felizes. Mas devido a todo comentário sobre a plástica do filme, não perdi o interesse em assisti-lo.
Obrigada pelo blog! Realmente, sensacional!
Abraço!
De minha parte, como não entendo bem de cinema e não sou nenhum cinéfilo, quando leio uma crítica como a sua, já assisto ao filme mais bem preparado para entendê-lo. Alguns detalhes “técnicos” não me chamariam a atenção, não tivesse eu travado contato com os comentários de quem os entende.
E, só para não deixar de dizer, que saco ter um chato de plantão para vir botar defeito no que a gente faz. O assunto desse blog não são as críticas, mas os filmes criticados. Não gostou da crítica, fecha a janela do Explorer e dá o fora. Agora, vir encher o saco dos outros? Faça-me o favor!
[...] Leia mais deste post no blog de origem: Clique aqui e prestigie o autor [...]
Sempre leio antes de ir ao cinema. Voce escreve de de um modo fácil de entender!
(Ah, também gosto de ler o blog do Reinaldo!!)
XXX
adoro as suas críticas, acho que já disse isso umas… cento e quarenta e nove vezes? a maioria dos filmes nunca vi – e provavelmente nunca verei – e só de lê-las, parece que estou assistindo ao filme.
Esse cara é um chato e chato não se explica. Já ouviu dizer que que o chato quando está gripado no lugar de ir ao médico vai ao cinema? Esse deve ser um deles.
Mas discordo de vc quanto ao Olavo e ao Reinaldo. Pra mim, os caras fazem muita bem a função de não deixar a ptzada e esquerdóides pautarem o debate nacional. A imprensa a favor é sempre muito caretinha e previsível. Além do que argumentam muito bem, tem bagagem e um texto que vc não larga enquanto não termina. Embora, ás vezes, não concorde.
Eu faço tudo por um bom texto. Concordar ou não já é outra história.
Porisso tenho saudades do tarso de Castro, Do Francis e de outros malucos que tinham coragem de botar o dedo na ferida. Viva Olavo, Viva Reinaldo e abaixo a patrulha.
Continue botando pra quebrar no blog.
Sou fã!
Concordo com vc. A esquerda é o caminho certo. O marxismo é o caminho da verdade e da onisciencia. Juntos, companheiro, teremos o estado como nosso representante maior, nosso tutor. Logo seremos operários de uma realidade, onde todos comungaremos de um só destino, uma só renda, uma só verdade, um só direito: a igualdade. Concordo com ti, morte a Reinaldo Azevedo, morte ao Olavo de Carvalho. Pessoas como Battisti, Mao Tse Tung e Stalin são vitimas de uma sociedade capitalista e burguesa. Não se preocupe, meu irmão, logo teremos nossa URSAL (União das Republicas Socialistas da America Latina). Penso como ti, avante Hugo Chavez, avante Ortega, avante Fidel, a foice o martelo irá pairar sobre nossas cabeças e a igualdade será estabelecida diante de todos. Serás um irmão operário do novo tempo, e teu nome será lembrado. Um abraço e parabens pelo trabalho, companheiro!!!!!
Ou seja, não me encaixo no grupo dos que foram rever o casal romântico de Titanic. E sem querer julgar se tal filme é melhor ou pior que outro, prefiro “Foi Apenas um Sonho” a “O Curioso Caso de Benjamin Button”.
Falando em Benjamin Button, não pude deixar de ler “O Curioso Diálogo entre R. Wolochyn e R. Carrero” algumas linhas acima. As críticas de Carrero tem conteúdo suficiente para os amantes da sétima arte verem o filme e tirarem suas próprias conclusões. Comentar os aspectos técnicos contribui para esclarecer mais ainda a mensagem do filme (a monotonia das cores do filme em comento, por exemplo). Muitas vezes leio a crítica depois de ver o filme, como fiz agora, o que só enriqueceu os meus sentimentos em relação à obra. Mas se todas as críticas parecessem tese de mestrado, como é o caso do exemplo citado pelo Sr. Wolochin, só os acadêmicos a leriam, e os críticos seriam ignorados pelos cinéfilos simples mortais.
Por outro lado, acho bom existirem chatos com Roberto Wolochyn, assim temos de quem falar mal depois. =DDD
Olhando pelo lado psicanalítico, nota 10! mas por outro lado nota 6.0! Prefiro olha pelo lado psicanalítico! rs . Na realidade o Filme retrata o conflito entre duas pessoas casadas, com seus sonhos completamente frustrados! Isso nos faz acreditar, que precisamos fazer uma reflexão dos nossos sonhos e objetivos, ou seja, tendo uma visão de onde queremos chegar! Quando isso não acontece nossos sonhos são completamente frustados. Por esta questão, é preciso não perder o foco dos nossos sonhos, para não repetir o mesmo drama do filme em nossas vidas! Não vamos encontrar pessoas perfeitas, mas devemos procurar pessoas que tenham o mesmo objetivo.
Jessé Brasil
Psicanalista, Contador e consultor empresarial
jesse_brasil@yahoo.com.br
Vi o filme no último dia 1º e amei. Achei um petardo! E adorei sua crítica. Das melhores. Só fiquei meio triste porque acho que ainda caio na armadilha hollywoodiana, apesar de cinéfila não tão recente assim (rsrs). Isso porque o tal “formato clássico que almeja a lista dos Oscar” do filme não me impediu de imergir na trama, inclusive no ato final. Tudo bem que ele dá umas leves derrapadas, mas nada que tire o brilho do produto final. Talvez por ser mulher, a identificação com o estreitamento das possibilidades de April, ao final, me sintonizou num canal bastante emocional. Mas acho suas observações sempre pertinentes. Parabéns ! Grande abraço!
Esse Junior só pode ser um gozador! Nunca dei tanta risada! Ai, meu Deus, tá me faltando o fôlego!…
Essa seção tá mesmo uma diversão!
eo o filme e maravilhoso
Rodrigo, gostei da sua crítica, geralmente as críticas que leio ou “babam ovo” demais, ou só faltam xingar o filme, já nem costumava ler mais críticas, mas como eu estava curiosa e na dúvida se valia a pena ou não assistir, resolvi procurar mais detalhes no google e achei seu blog. Você fez uma análise muito interessante, desvendando as técnicas usadas pelo diretor para passar a mensagem da trama. Isso me convenceu de ir conferir. Depois que eu assistir ao filme, volto a comentar. Ah, salvei seu blog nos meus favoritos.
Assisti ontem ao filme e com a sua crítica, captei detalhes que não tinha percebido, como as cores utilizadas, sobre os silêncios e algo mais, afinal, não sou nenhum expert em cinema. De qualquer forma, sei até que ponto posso levar em consideração o que é real ou não em uma crítica de cinema, ou o que tem de verdade segundo minhas concepções. Ninguém é dono da verdade em relação à nada e um crítico tem a função de apontar os caminhos. Cabe ao leitor em aceitá-los ou não.
Infelizmente exite quem não se perceba disso, como é o caso de nosso “modesto” crítico de crítico de cinema!!
Enfim, “foi apenas um sonho”!!
Abraços
Gostei muito, é um filme que cresce dentro de nossa cabeça ao sair do cinema, não?
Sua crítica está ótima, foi ela que me fez enxergar certos aspectos “filosóficos” do filme.
Grande abraço,
Marcos
Kate Winslet merecia o oscar por essa atuação (simplesmente divina) e não pelo “o Leitor”. Leonardo DiCaprio me surpreendeu. Michael Shannon foi terrível (uma grande revelação como ator). E a história se desenrola num crescendo que vai aos poucos nos envolvendo com a vida daquele casal entediado, consumido pela monotonia de um grande vazio existencial. De quebra, o filme despertou em mim a vontade de ler o livro. Cinema bom faz certas coisas com a gente…
Esse seu comentario …”o que fazer quando percebemos que somos prisioneiros de uma vida da qual não gostamos? Devemos sacrificar uma existência confortável em nome de desejos secretos que talvez não sejamos capazes de realizar?” … foi perfeito e sintetiza a grande questao do filme.
Quando eu me sento para assistir a um filme, quero experimentar um momento de lazer. É um prazer que esse filme absolutamente não permite que se sinta. É tristeza e melancolia do início ao fim, com uma linguagem crua e com intermináveis momentos de indefinição total. Também não é instrutivo, ou seja, mostra cruamente a miséria do vazio, com cenas de demasiada violência sem objetivo nenhum, a não ser o de impressionar e chocar, sem apresentar alternativa alguma de superação do vazio.
Triste, vazio, entediante. Perda de tempo total.
Particularmente amei o filme.Tecnicamente falando achei muito interessante.Adorei a fotografia,as cores pastéis.O engraçado é que quando li sua crítica depois de ter visto o filme.Concordo com muita coisa,não com todas,mas sua crítica não perde o valor por isso,é claro..Gostei bastante do que li.
Até agora não sei por qual dos dois filmes a Kate merecia mais o Oscar.adorei os diálogos do filme e a interpretação do Leonardo também é muito boa. Eu fui uma daquelas que viu Titanic quando criança e achou o casal lindo,mas como sabia que não era uma historinha fofinha,onde veríamos os dois bonitinhos juntos,não me surpreendi com a decadência do casal principal. Ah!Detestei a tradução do título,odeio quando as empresas fazem isso com o nome dos filmes.
Espero voltar muitas vezes no seu blog.
[...] mas entendi o filme belezinha… procurando um complemento na net sobre ele encontrei esse post muito interessante sobre o filme, bem como sobre o [...]
Acabei de assistir o filme e vim procurar textos para solidificar minhas conclusões e esse foi bastante útil!
o/
o crítico pode ajudar hehehe
Acho que a última cena ecoa mais ou menos um dos temas principais do filme: a falta de conexão (e comunicação) entre duas pessoas que vivem juntas. Entre claro, outras coisas.