FAQ (Perguntas Mais Freqüentes)

Muitos dos e-mails que venho recebendo, ao longo dos anos em que o Cine Repórter esteve on line, fazem as mesmas perguntas de modos diversos. Já mantive um arquivo com respostas pré-escritas para não precisar escrever tudo de novo quando elas aparecerem na minha caixa de correio eletrônico. Aqui estão elas, reunidas.

Onde você mora?
Moro no Recife (PE). Sou pernambucano e sempre morei aqui. Tenho duas filhas e trabalho como professor do curso de Cinema da UFPE. Estudei cinema a vida toda, inclusive no mestrado e no doutorado, mas o site é apenas um hobby de luxo, um esforço cinéfilo diletante, que não me rende financeiramente nada. Para informações mais detalhadas, visite a seção Quem Faz o Site.

Como você arruma tempo para ver tantos filmes?
De certa forma, o Cine Repórter foi um pouco responsável pelo fim de um casamento. Provavelmente eu gastava tempo demais vendo filmes e escrevendo sobre eles… mas a resposta, na verdade, tem a ver com organização pessoal. Quem me conhece sabe que sou meio desatento e bagunçado (vivo esquecendo o celular pelos cantos), mas administro meu tempo com bastante rigor. Em geral, vejo um filme por dia, quase sempre à noite (depois que a meninada dorme) ou de manhã bem cedo (após minha corrida matinal de uma hora, quando elas estão no colégio). Às vezes sacrifico umas horas de sono. Escrevo muitas críticas de madrugada ou no horário do almoço.

Prefere Cinema ou DVD?
Não acredito que exista algum cinéfilo que, em sã consciência, prefira ver um bom filme em DVD. A experiência cinematográfica é sempre realçada pela tela grande e pela sala escura. Adoro DVDs; de outra forma, jamais poderia ter conhecido obras-primas como “O Gabinete do Dr. Caligari” ou “Inverno de Sangue em Veneza”. Mas nada se compara a um belo filme visto em um bom cinema.

Como vê filmes antes que eles cheguem aos cinemas do Recife?
Uma prática comum das distribuidoras é a realização de cabines. São sessões especiais de projeção para críticos e jornalistas que trabalham com entretenimento. Na maioria das vezes, elas são realizadas durante a manhã, quando os cinemas estão fechados para o público. Algumas distribuidoras bancam viagens dos críticos para ver cabines no Sudeste (Rio ou São Paulo). Por conta do trabalho, também viajo com certa regularidade, o que me proporciona boas chances de ver filmes inéditos. Sem falar nos DVDs importados.

Você coleciona DVDs?
Colecionei, até desistir de fazer isso após a chegada do Blu-Ray. É provável que o formato mude de maneira cíclica nos próximos anos, portanto não faz sentido gastar uma fortuna comprando filmes. Tenho preguiça de contar, mas devo ter em casa algo em torno de dois mil DVDs. Detalhe: não costumo receber nada de graça, nenhum presente de distribuidoras (a única que me manda alguns é a Videofilmes). Diria que 95% desse total foi comprado com grana do meu bolso, principalmente em lojas virtuais.

Quantos filmes você vê por ano?
Só comecei a organizar planilhas relacionando todos os filmes que vejo a partir de 2004. Já cheguei a assistir a mais de 700 filmes em um ano (2010), mas a média anual gira em torno dos 430. Desse total, vejo uns 70/80 no cinema, e o resto em DVD. Vale ressaltar que, como “filmes”, considero também séries de TV (computo como um filme um DVD cheio de episódios) e documentários (desde que com mais de 60 minutos de duração).

Quem é o melhor crítico do mundo?
Não existe nada parecido. O Cinema envolve muito de subjetivismo, como já dizia o cinéfilo e psicanalista Hugo Münsterberg, lá pelos idos de 1917. Creio firmemente que os melhores críticos são aqueles que tentam desvendar os mecanismos narrativos utilizados pelos cineastas para contar histórias. Dizer que um filme é “bom” ou “ruim” qualquer um faz; poucos conseguem explicar de forma diligente estas opiniões. Meu crítico predileto é o Inácio Araújo. Mas leio todo tipo de crítica, boa ou ruim. Tem muita gente bacana escrevendo sobre Cinema por hobby, na Internet. Algumas dessas pessoas são especialistas em filmes ou movimentos obscuros, como por exemplo o cinema exploitation italiano dos anos 1970. É ótimo poder descobrir essas pessoas.

Quantas pessoas acessam o Cine Repórter por dia?
O site tem média de 1,5 mil páginas vistas por dia. Mais ou menos 680 pessoas entram nele todos os dias.

Qual é o seu filme favorito?
“Três Homens em Conflito”, western de Sergio Leone. Não caio na besteira de dizer que é o melhor filme jamais produzido, mas certamente é o que mais me emociona, por razões sentimentais. É o único filme que vejo, religiosamente, pelo menos uma vez por ano. Minha tese de doutorado, em grande parte, se debruça sobre ele. Para maiores detalhes, leia (e ouça o podcast) sobre ele aqui mesmo, no site.

O que pensa do cinema pernambucano?
Gosto bastante dos longas-metragens produzidos por aqui, e falo isso sem qualquer vergonha, porque não sou amigo íntimo de nenhum diretor local. “Cinema, Aspirinas e Urubus” é um dos filmes mais legais feitos no Brasil na década passada. Infelizmente, não conheço o suficiente das produções em curta-metragem para emitir uma opinião qualificada.

Qual a diferença entre o Cine Repórter 2.0 e a versão antiga do site (2003-2008)?
Com exceção do banco de dados, composto por 1.462 críticas (no momento da transição), o resto é 100% diferente. Depois de migrar para a plataforma WordPress, o site ganhou visual mais limpo e arejado, e navegação mais simples. Além disso, ele agrega muitas inovações tecnológicas: RSS, bookmarks sociais, comentários livres, videocasts, podcasts e muito mais interatividade.

E quanto às estrelinhas?
As estrelinhas são um mal necessário. Nunca gostei delas e minha dissertação de mestrado, inclusive, reserva grande parte de um capítulo para explicar o mal que esse tipo de notação superficial tem feito à crítica especializada. No entanto, a esmagadora maioria dos leitores cobra textos venham acompanhados de notas. As estatísticas de leitura do site seriam bem piores se essas não existissem (e não sou louco de escrever apenas para meia dúzia de cinéfilos diletantes como eu).

A atual notação vai de zero estrelas até cinco estrelas, e segue mais ou menos a seguinte classificação:

NOTA DO EDITOR: ☆☆☆☆☆ = O horror! O horror!
NOTA DO EDITOR: ½☆☆☆☆ = Amadorismo sem noção
NOTA DO EDITOR: ★☆☆☆☆ = Amontoado de clichês filmado sem qualquer lógica narrativa
NOTA DO EDITOR: ★½☆☆☆ = Caça-níqueis descarado e superficial
NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆ = Pelo menos obedece a regras básicas de narrativa
NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆ = Fraco, com lampejos de lucidez
NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆ = Bem feito, embora sem novidades
NOTA DO EDITOR: ★★★½☆ = Irregular, mas com momentos de criatividade
NOTA DO EDITOR: ★★★★☆ = Consistente e bem realizado
NOTA DO EDITOR: ★★★★½ = Quase perfeito
NOTA DO EDITOR: ★★★★★ = Impecável, estética e narrativamente