10 livros sobre cinema

13/02/2010 | Categoria: Outros textos

Dez dicas de livros sobre cinema interessantes disponíveis nas livrarias do Brasil

Por: Rodrigo Carreiro

Os textos sobre livros que abordam o cinema se mantêm, mês após mês, entre os mais acessados do Cine Repórter. É fácil explicar este fenômeno. Além de lançamentos acerca da arte cinematográfica serem raros, também estão freqüentemente entre os mais caros do mercado. Não é difícil que os livros sobre cinema cheguem a R$ 80 ou mais, de forma que os potenciais leitores têm mesmo que buscar o máximo de informações disponíveis sobre essas publicações antes de desembolsar aquela grana.

Porém, a sessão Livros do Cine Repórter quase não tem sido atualizada. Este é mais um dos aspectos do site que pretendo melhorar ao longo de 2010. Este post foi pensado como ponto de partida deste processo.

Nos próximos parágrafos, vou recomendar dez livros sobre cinema que possuo em minha estante, uso em minhas aulas e recomendo de forma inconteste. Alguns deles são bastante caros, mas todos valem a pena (pelo menos da perspectiva de um professor de cinema que gosta muito de ler sobre cinema também nas horas vagas).

Vou listá-los por ordem de preferência, procurando também descrever brevemente o tema e a abordagem teórica e/ou temática escolhida pelo autor (ou autores). Em futuros textos, procurarei elaborar resenhas um pouco mais extensas sobre cada um desses livros.

1) Figuras Traçadas na Luz (David Bordwell, Ed. Papirus)
Bordwell é um dos principais teóricos do cinema em atividade. Seu eixo teórico é o cognitivismo, uma corrente teórica que prioriza aspectos relacionados à percepção do produto audiovisual pelo espectador. Neste livro, ele analisa minuciosamente os filmes de quatro diretores (Louis Feuillade, Kenji Mizoguchi, Theo Angelopoulos, Hou Hsiao-Hsien), propondo uma história estilística da encenação no cinema. Um capítulo de abertura e um de conclusão lidam com conceitos fundamentais, como estilo e autoria. Não é o livro mais acessível de Bordwell – os cineastas escolhidos não são muito populares – mas é o único em português. Obrigatório.

2) Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’n’roll Salvou Hollywood (Peter Biskind, Ed. Intrínseca)
Relato jornalístico detalhado e apimentado (milhões de fofocas e histórias de bastidores) sobre um dos mais períodos críticos da história do cinema: a virada dos anos 1960 e 1970 em Hollywood, quando despontou uma geração que mudou os rumos do cinema comercial para o bem e para o mal. Quem curte os filmes de Scorsese, Coppola, Friedkin, Bogdanovich e demais diretores da geração New Hollywood não pode deixar de ler. Não é um livro acadêmico, o que facilita as coisas.

3) Lacrimae Rerum (Slavoj Zizek, Ed. Boitempo)
O filósofo e psicanalista esloveno é um dos pensadores mais férteis e imaginativos do cinema em atividade. Suas idéias são ultra-polêmicas e sempre interessantes, mesmo que se discorde dele. O livro aborda principalmente a obra de quatro diretores: Krzysztof Kieslowski, Alfred Hitchcock, David Lynch e Andrei Tarkovski. A edição brasileira acrescenta um artigo sobre a trilogia “Matrix”.

4) A Tela Global (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, Ed. Sulina)
O francês Lipovetsky ficou conhecido por rejeitar o termo “pós-modernidade” e substituí-lo por “hipermodernidade”, segundo qual vivemos uma época que não rompeu completamente com o passado, mas sim o reestruturou. Ele parte deste conceito pra analisar o cinema contemporâneo de diversos ângulos, tanto estéticos quanto mercadológicos. É um relato abrangente e por causa disso pouco minucioso, mas que tem grande valor, pois combina uma série de dados interessantes, estatísticas e conceitos oriundos de várias disciplinas.

5) Lendo as Imagens do Cinema (Laurent Jullier e Michel Marie, Ed. Senac)
Este é um livro de análise fílmica. Os dois autores propõem uma divisão da história do cinema em seis períodos, elencam as principais características estéticas de cada período e partem para analisar detalhadamente cenas de filmes importantes de cada um desses períodos. A edição é espetacular, toda ilustrada com frames dos filmes escolhidos, em papel-couchê 100% colorido.

6) O Cinema e a Encenação (Jacques Aumont, Ed. Tetxo e Grafia)
Aumont é um dos mais importantes teóricos do cinema da atualidade, e talvez o mais conhecido no Brasil. Neste livro, cuja edição é de Portugal, ele se debruça para analisar o conceito de encenação – ou seja, a organização dos elementos visuais dentro do quadro – por um viés sobretudo semiológico. Funciona como um complemente perfeito para o livro de Bordwell.

7) Conversas com Woody Allen (Eric Lax, Ed. Cosac Naify)
Outro livro que não tem viés acadêmico. Trata-se de uma compilação de entrevistas realizadas com Woody Allen, onde o diretor norte-americano analisa e reflete sobre cada um de seus filmes, detalhando o processo de realização de todos eles e discutindo suas práticas estilísticas em som, fotografia, direção de atores, desenho de produção e tudo o mais. Ele discute até as fontes usadas nos créditos. A edição, com capa dura e ilustrada, também é ótima.

8 ) Conversas com Almodóvar (Fredric Strauss, Jorge Zahar Editor)
Basicamente tem a mesma estrutura do livro sobre Woody Allen, só que apresentando o realizador espanhol. A edição não é tão boa, e Almodóvar freqüentemente envereda por reflexões um tanto subjetivas, mas o livro é ótimo, especialmente para os admiradores do cinema dele.

9) Produção de Imagem e Som (Jan Roberts-Breslin, Ed. Campus)
Ótimo livro para trabalhar com estudantes de graduação que estão começando a exercer tarefas conectadas à produção de filmes ou programas de TV. A abordagem é bem didática. O autor ensina o vocabulário básico que profissionais do ramo precisam saber (quem não tem idéia do que seja um plano de conjunto, por exemplo, fica sabendo) e examina cada um dos aspectos de uma produção audiovisual.

10) A Magia da Pixar (David Price, Ed. Campus)
Mais um relato jornalístico, cobrindo toda a história da empresa de animação mais famosa do planeta. O autor destaca tanto aspectos criativos, mostrando os bastidores problemáticos de produções como “Ratatouille” (que mudou de diretor no meio do processo), quanto as rixas internas e externas e os aspectos econômicos e mercadológicos do negócio.

| Mais


Assine os feeds dos comentários deste texto


19 comentários
Comente! »