Grandes filmes

07/10/2008 | Categoria: Outros textos

Segundo volume de críticas escritas pelo grande Roger Ebert peca apenas pela tradução cheia de erros

Por: Rodrigo Carreiro

Quem não conhece o trabalho de Roger Ebert, um dos mais prestigiados críticos de cinema do mundo, tem duas oportunidades nas livrarias brasileiras para se familiarizar com o único crítico a vencer o prestigiado Prêmio Pulitzer, principal troféu jornalístico dos Estados Unidos. O livro “Grandes Filmes”, segundo volume da compilação de críticas dos longas-metragens que ele considera os maiores da história, é um deles.

Este é o segundo volume da coleção iniciada com “A Magia do Cinema”. Os dois livros estão nas livrarias brasileiras com o selo da Ediouro e custam em torno de R$ 59,00 cada. Nos EUA, os dois volumes compilam críticas de uma série quinzenal que Ebert publica no jornal Chicago Sun Times. A cada duas semanas, ele escreve um longo texto crítico sobre um grande filme da história do cinema.

O segundo volume contém 100 críticas, assim como o primeiro. Embora possa parecer que o volume traz filmes de segundo escalão, isto não é absolutamente verdade. Até porque a série original, intitulada exatamente “Great Movies”, continua sendo publicada com regularidade, e inclui até mesmo filmes brasileiros (“Pixote”, de Hector Babenco).

Muitas obras seminais do cinema estão reunidas aqui, inclusive muitas que ocupam lugar de destaque na filmoteca particular de qualquer cinéfilo que se preze. É o caso de “Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia” de Peckinpah, “Amadeus” de Milos Forman e do supremo “Três Homens em Conflito”, meu filme favorito de todos os tempos, do italiano Sergio Leone.

Há alguns textos óbvios (“A Marca da Maldade” de Welles; “A Regra do Jogo” de Renoir) e, como de praxe, algumas surpresas (o besteirol “Antes Só do que Mal Acompanhado”, a animação japonesa “O Túmulo dos Vagalumes”). Sob certo aspecto, este volume é ainda mais bacana do que o primeiro, por lançar luz a obras relativamente desconhecidas dos cinéfilos mais jovens (a comédia noir “A Ceia dos Acusados” ou o obscuro australiano “A Longa Caminhada”).

A lamentar, apenas duas coisas: a falta de um bom índice remissivo (algo que existia no primeiro volume) e a péssima tradução, repleta de erros de revisão e gramática, o que empobrece o lançamento mas não o invalida. Vale lembrar que todos os textos que integram o volume podem ser lidos, na íntegra e em inglês, no site oficial de Ebert (www.rogerebert.com).

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