Oscar 2009

23/02/2009 | Categoria: Outros textos

“Quem Quer Ser um Milionário?” confirma status de papa-prêmios da temporada, fatura oito estatuetas e é o maior vencedor do ano

Por: Rodrigo Carreiro

Não, eu não assisti à cerimônia de entrega do Oscar2009. Não tenho TV a cabo em casa, e como a Globo preferiu passar o desfile das escolas de samba cariocas, acompanhei tudo pela Internet mesmo. Menos mal que eu sempre achei as cerimônias do Oscar enfadonhas e longas. E o fato de este ano a transmissão ter sido mais ágil e compacta, aliás, foi para mim a melhor novidade de 2009.

Nos dois posts anteriores que publiquei sobre o assunto, fiz algumas apostas (mas não muitas), sendo algumas delas bastante arriscadas. Meu maior erro, fruto da teimosia, foi achar que “Quem Quer Ser um Milionário?” não confirmaria o status de papa-prêmios da temporada, pelo fato de ser um lançamento independente, feito fora da Hollywood. Errei.

E errei feio. O filme de Danny Boyle tinha sido indicado dez vezes. Venceu oito. Perdeu duas vezes, nas categorias de edição de som (mas venceu em mixagem de som) e canção (mesmo assim faturou o Oscar dessa categoria, com outra indicação).

De qualquer modo, essa vitória traz um ponto positivo: de todos os concorrentes, ganhou justamente aquele sem o tom solene e auto-importante que os vencedores quase sempre têm. Um filme realmente pequeno (e não falsamente pequeno, como de hábito).

Nas categorias técnicas, eu tinha escrito que “Milionário” e “Benjamin Button” dividiriam os troféus. Foi mais ou menos o que aconteceu. O primeiro garantiu montagem, fotografia, trilha sonora, canção e mixagem de som. O longa de David Fincher levantou os troféus de direção de arte, maquiagem e efeitos especiais. E só. Foi o grande derrotado da cerimônia, com três vitórias em 13 possibilidades.

Injustiças? Muitas! “Wall-E” venceu melhor animação, mas perdeu música, roteiro, edição de som e mixagem de som (difícil entender as derrotas nessas últimas categorias). “Valsa com Bashir”, favoritíssimo em filme estrangeiro, foi esnobado (essa era até previsível, pois os votantes desta categoria costumam ser ultra-conservadores, e dar o troféu a um documentário que é também animação…).

“O Lutador” deveria estar entre os indicados a melhor filme. “Homem de Ferro” deveria ganhar o Oscar de efeitos visuais. Kate Winslet já merecia há muito tempo, mas deveria ter vencido por “Foi Apenas um Sonho”, onde esteve melhor do que em “O Leitor” (esta vitória foi fruto do marketing cínico de Harvey Weinstein).

Mas a Academia de Artes e Ciências de Hollywood é assim mesmo.

Entre atores e atrizes, deu mais ou menos aquilo que todos esperavam, talvez com exceção de Sean Penn (mas todos sabiam que ele era um forte concorrente, embora todo mundo, talvez até o próprio Penn, torcesse por Mickey Rourke). E nas duas maiores categorias, direção e filme, a Academia foi coerente.

Para encerrar, devo confessar que minha aposta renitente em “Benjamin Button” se deve, em parte, a certa implicância com “Quem Vai Ser um Milionário?”. O filme de Danny Boyle é bacana, empolgante, esteticamente belo, bem filmado, tecnicamente impecável… mas fica a léguas de distância dos melhores filmes dele (“Cova Rasa”, “Extermínio” e “Trainspotting”). E deve muito –muito mesmo! – ao nosso “Cidade de Deus”. Ora, se era para premiar um filme independente sobre favelados cool, deveriam ter dado o troféu ao original, e não à cópia! 

Mas, de novo, a Academia é assim mesmo. E menos mal que a estatueta mais importante fique, dentro os cinco concorrentes, nas mãos do mais legal. Ainda que este mais legal seja, na minha opinião, inferior a “O Lutador”, “Wall-E” e “O Casamento de Raquel”, todos injustiçados.

A lista completa de premiados no Oscar 2009 está aqui.

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