A visão do fã

14/07/2011 | Categoria: Outros textos

“A sensação é que, mesmo depois de ter acabado, não acabou. Ainda teremos as lembranças para contar e sentir para o resto de nossas vidas”

Por: Iara Ximenes Souza

Sabíamos que não iria durar para sempre. Os cartazes nos shoppings e os trailers na televisão trazem à tona todo um sentimento de despedida que não queremos aceitar. Mas, a sensação é que, mesmo depois de ter acabado, não acabou. Ainda teremos as lembranças para contar e sentir para o resto de nossas vidas. Vivemos junto com Harry, Rony e Hermione. Crescemos com eles.

Para toda nossa geração (e com certeza para as seguintes também), Harry Potter foi, em alguns momentos, uma rota de fuga, uma zona de conforto. Onde se podia relacionar com seus personagens e sentir-se amado, como parte deles. Fomos e sempre seremos seus amigos. Esses sentimentos voltam todos de uma só fez, no momento em que revemos Harry na tela, mas principalmente quando Hogwarts entra em cena.

Escrever sobre informações técnicas ou fazer análises fílmicas não farão jus à emoção que se tem ao assistir o desfecho. O filme é um conjunto explosivo de cenas bem feitas, desde o assalto a Gringotes (executado muito fielmente) até a maior parte do filme, e também a mais importante: a batalha em Hogwarts. Tudo o que foi imaginado por milhões de fãs torna-se concreto na tela. Talvez até melhor. Vemos não só Harry correndo a procura das horcruxes, mas presenciamos também a batalha do lado de fora; o que nos dá a sensação de estar no meio de tudo. Neville e Minerva, como verdadeiros líderes na luta, a fazerem tudo o que podem para ajudar. Sentimos a dor e a angústia de perder amigos. Ao final da batalha, toda a invasão ao banco no começo do filme parece ter acontecido anos antes.

Alan Rickman merece algum destaque aqui. Ele se supera nesse filme e transporta para ele o Snape sentimental e dúbio que J.K Rowling descreveu com tanta meticulosidade. Ele emana emoções que transcendem a tela e faz, nós, fãs, nos desmancharmos em lágrimas. Assim como em tantas outras cenas que também fizeram a gente chorar enquanto líamos.

(o parágrafo seguinte está em branco porque contém spoilers; se desejar ler, use o mouse para ressaltá-lo)

No final do filme a sensação de nostalgia é gigante, ao ver Harry, 19 anos depois, com suas crianças, sua esposa e com uma sua nova vida, voltar à plataforma 9 3/4. Uma retrospectiva se passa em nossas cabeças. Toda a história do garoto que sobreviveu, que nos foi magicamente contada do primeiro até o último filme da saga, passa como um flash em nossas mentes. Bem ali, naquela estação, foi onde tudo começou e onde tudo terminou. Toda a magia começa e termina na mesma plataforma. A pergunta que resta é: e nós, como estaremos daqui a 19 anos?

Claro que nem tudo é perfeito (mas chega bem perto). Cenas novas foram criadas, como a que mostra o lado das trevas, com Voldemort e seus seguidores (que não existiam no livro, uma vez que este é sempre sob o ponto de vista de Harry). Mudanças aqui e ali, necessárias para um desenrolar coeso, foram feitas. Mas diante de tanta felicidade, carinho, amor, tristeza e dor por ser o último; toda e qualquer diferença se torna irrelevante. Tudo o que importa é ser Harry Potter.

* Iara Ximenes Souza é estudante de Cinema na UFPE e leitora/espectadora de Harry Potter de primeira hora

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