Homem polêmico

07/11/2003 | Categoria: Outros textos

Fala-se que Walt Disney era anti-semita e racista, mas como homem de cinema e empresário seu talento é inegável

Por: Rodrigo Carreiro

Walter Elias Disney Junior era um desses enigmas que desmente a máxima de que a vida imita a arte. Gênio indiscutível no campo artístico e com um faro incomum para reconhecer talentos e empregar novidades tecnológicas numa indústria ainda incipiente, ele imprimiu à companhia que criou um fardo tão politicamente correto que a Disney até hoje ainda luta para deixar para trás. No bastidores, porém, embora fosse mesmo um homem devotado à família, não cultivava hábitos assim tão saudáveis. Ganhou fartas acusações de racismo e anti-semitismo, e biografias ainda acrescentam a atividade de informante do FBI ao currículo suspeito. Os indícios da verdade dessas acusações são muitos, mas sua família, claro, nega tudo.

De verdade mesmo, sabe-se que Walt foi um garoto pobre, criado na conservadora Kansas City. Não se dava nada bem com o pai e a madrasta, e saiu de casa cedo, aos 17 anos, para a Europa. Lá, mostrou logo tino para os negócios: furava a bala capacetes do Exército alemão e os revendia como souvenirs de guerra. Na volta, decidiu que não queria um emprego convencional. Sabia desenhar razoavelmente bem e procurou montar um estúdio com o amigo Ub Iwerks, colega pelo resto da vida. A experiência inicial fracassou, mas ele não desistiu. Foi para Hollywood em 1927, para fascinar-se pelo cinema e procurar ganhar a vida com aquela nova forma de fazer arte.

Sua primeira criação, o coelho Oswaldo, foi logo roubada por um distribuidor de tiras de desenho. Ele podou-lhe as orelhas e criou um rato, Mickey. O sucesso logo bateu-lhe a porta, e veio de forma avassaladora. Montou então um estúdio, e começou a fazer curta-metragens de animação. Na época, esses filmes eram exibidos antes das sessões principais. Ele sabia, no entanto, que para fazer dinheiro de verdade e angariar respeito, precisava invadir a praia dos longas. “Branca de Neve e os Sete Anões” foi sua primeira experiência, e depois disso o estúdio nunca mais pisou atrás. Os sucessos foram se seguindo, um atrás do outro. Encantava o público e a crítica: ganhou 29 Oscars na carreira.

Na década de 1950, fez muito sucesso também na TV e começou a aventura de construir parques temáticos para crianças. Nessa época, também, começou a cultivar inimizades. Primeiro, denunciou colegas simpatizantes do comunismo durante a época da caça às bruxas, o macarthismo. Depois, pipocaram as acusações de racismo – nenhum negro jamais trabalhou na Disney enquanto Walt era vivo. Fumava três maços de cigarro por dia e gostava de beber., Esse hábitos acabariam por tirar-lhe a vida, em 1966. Deixou uma viúva e dois filhos, e o maior império do cinema de animação jamais imaginado por ninguém que não fosse um visionário do mesmo naipe.

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