Marlon Brando – um mito

02/07/2004 | Categoria: Outros textos

Excêntrico, rebelde, talentoso; para muita gente, Brando foi o maior de todos os atores

Por: Rodrigo Carreiro

O dia 1º de julho de 2004 vai ficar marcado como um dia triste na história do cinema. Aquele que é considerado por muitos especialistas como o maior ator cinematográfico de todos os tempos, Marlon Brando, morreu em Los Angeles (EUA), onde morava, de enfizema pulmonar. Ele tinha sido internado no dia anterior. Brando tinha 80 anos.

Brando não era mais nem sombra do símbolo sexual que ouriçou mulheres em “O Selvagem” (1953), ou do grande astro capaz de rechar as bochechas com algodão para compor o sotaque inesquecível de “O Poderoso Chefão” (1972). Gordo, Brando estava afastado do cinema comercial há anos, reaparecendo apenas de vez em quando, geralmente para papéis de pouca importância em filmes fracassados.

Na verdade, Marlon Brando cultivava hábitos excêntricos há muito tempo. Ele foi, por exemplo, o primeiro astro de Hollywood a recusar publicamente um Oscar, em 1972 – o segundo troféu da carreira, pelo filme-síntese de Francis Ford Coppola, “O Poderoso Chefão”. Depois, na década de 1970, comprou e foi viver em uma ilha particular no Caribe, sem dar entrevistas ou aparecer em público. Lá, engordou mais de 50 quilos.

Esse isolamento foi ruim para a família. Em meio a boatos de incesto, o filho Christian acabou matando o namorado da irmã, Cheyenne, e endividou o pai, que gastou uma fortuna de US$ 20 milhões para livrar o rapaz da cadeia e ainda acabou vendo a filha cometer suicídio, em 1995.

Brando estava vivendo em um bangalô de madeira de um quarto, em um condomínio na mítica avenida de Mulholland Drive, estrada que passa por cima do famoso Hollywood Sign. O lugar perfeito para alimentar uma verdadeira lenda viva.

Marlon Brando nasceu em 3 de abril de 1924, em Omaha, no estado americano do Nebraska. Era descendente de imigrantes irlandeses. Seus pais brigavam um bocado, e por isso a infância foi passada de cidade em cidade: morou na Califórnia e em Illinois, em vários lugares.

Em 1940, Brando freqüentou um colégio militar, a Shattuck Military Academy, e acabou expulso. Já era um rebelde. Em 1943, foi para Nova York decidido a ser ator e se matriculou num curso de teatro na New School for Social Research, então dirigida pelo alemão Erwin Piscator. Depois passou por um curso no Actor’s Studio, onde adotou um novo método de atuação, popularizado pelo russo Stanislavski.

Brando seria o maior expoente do novo método, que recomendava mergulhar no personagem de cabeça. Seguidores ilustres fariam do método o mais popular entre os atores da segunda metade do século XX; Robert De Niro tornou-o regra em Hollywood ao engordar 22 quilos para atuar como um boxeador em “Touro Indomável”. Foi com Brando, porém, que os atores passaram a viver como se fossem os personagens que interpretavam.

O ator estreou no palco em 1944, na peça “Hannele”, de Gerhart Hauptmann. No mesmo ano, apareceu na Broadway, numa montagem de “I Remember Mama”. Em 1947, migrou para o cinema, pelas mãos de Elia Kazan, no sucesso “Uma Rua Chamada Pecado” (“A Streetcar Named Desire”), que só foi lançado em 1951. Depois, virou uma estrela.

A lenda de Marlon Brando foi sendo construída com uma cinematografia impecável e um comportamento excêntrico. Ele foi indicado sete vezes ao Oscar de melhor ator: em 1951, por “Uma Rua Chamada Pecado”; em 1952, por “Viva Zapata!”; em 1953, por “Júlio César”; em 1954, por “Sindicato de ladrões”; em 1957, por “Sayonara”; em 1972, por “O Poderoso Chefão”; e em 1973, por “O Último Tango em Paris”. Venceu em 1954 e 1972. Ele ainda fez “Apocalypse Now”, um dos maiores filmes de guerra e seu último grande trabalho.

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