O Código Da Vinci: A Obra

17/05/2006 | Categoria: Outros textos

Números recordes confirmam sucesso impressionante do thriller de Dan Brown

Por: Rodrigo Carreiro

Os números são impressionantes. Mais de 45 milhões de exemplares vendidos em três anos, 136 semanas liderando a lista dos livros mais vendidos no suplemento literário do jornal mais prestigiado do planeta (o New York Times), 44 traduções em línguas remotas como o árabe, e uma fortuna de US$ 360 milhões diretamente para os bolsos do autor, o escritor Dan Brown. As estatísticas que emolduram o sucesso do romance “O Código Da Vinci” não deixam dúvidas: o livro já é um dos fenômenos literários mais importantes de toda a literatura.

E tudo começou com uma simples tour turística pelo Louvre, o museu mais famoso do mundo e grande atração para os estrangeiros que visitam Paris. Foi lá que o romancista norte-americano, de férias, ficou convencido de que as pequenas charadas escondidas nas pinturas de Leonardo Da Vinci dariam um thriller de tirar o fôlego. Brown começou as pesquisas para o livro em 2001. Dois anos depois, em março de 2003, “O Código Da Vinci” iniciava sua avassaladora passagem pelas livrarias do globo.

Àquela altura, Dan Brown já não era mais um escritor desconhecido. “Anjos e Demônios”, primeiro livro a apresentar o futuro protagonista do “Código”, o professor de Simbologia Religiosa Robert Langdon, freqüentara a lista dos mais vendidos do New York Times – e o novo livro, com enorme potencial para a polêmica, recebera um marketing todo especial. “Por que este homem está sorrindo?”, perguntava um dos cartazes originais da publicidade do livro, sobre a famosa imagem da Mona Lisa. Homem? Como assim? A curiosidade dos leitores era despertada de imediato. E havia mais elementos misteriosos e fascinantes.

Dan Brown foi esperto o suficiente para saber que apenas uma polêmica teria efeito limitado sobre os leitores. O ideal era atirar em vários alvos ao mesmo tempo, e de preferência em alvos comprovadamente famosos. Assim, a trama passou a misturar figuras histórias lendárias, como Leonardo Da Vinci e Maria Madalena. Locais famosos (o Louvre, a catedral inglesa de Westminster) foram escolhidos como palco do enredo, que questionava dogmas fundamentais da Igreja Católica e ainda reinterpretava lendas mundialmente discutidas, como a suposta existência do Santo Graal. Isso sem falar do mistério que era a pedra fundamental do romance: uma suposta vida além da cruz para Jesus Cristo.

A partir desses elementos, Dan Brown teceu uma tapeçaria de informações históricas (algumas verídicas, outras ficcionais), criando uma trama que se assemelha a uma caça ao tesouro, em que o leitor soluciona um enigma para descobrir e outro, e assim por diante. O escritor temperou tudo com intrigas e assassinatos, e voilà: uma nova e alucinante aventura vivida por Robert Langdon. Em pouco mais de um dia, o professor passa de auxiliar na investigação de um assassinato a suspeito do mesmo crime, fugindo por locais na França, na Inglaterra e na Escócia, enquanto, ao mesmo tempo, descobre a verdade sobre Cristo e o Santo Graal. Tudo isso acompanhado da ruiva Sophie, uma estonteante criptóloga francesa.

A repercussão do livro foi nada menos do que bombástica. A reação da crítica norte-americana veio entusiasmada e os leitores corresponderam de imediato, elevando o livro à liderança da listagem do New York Times. O que ninguém imaginava é que esse posto fosse mantido por quase três anos consecutivos, algo inédito no ranking. Isso só ocorreu porque a polêmica não parou de crescer, gerando debates intermináveis com a Igreja Católica – ofendida pela versão do romance, segundo qual Cristo e Maria Madalena teriam sido casados e tido filhos –, com especialistas que dedicaram algumas dezenas de livros a descascar, pedaço por pedaço, as supostas inverdades históricas cometidas pelo romance de Brown, e ainda com historiadores que o acusavam de plágio.

Enquanto as porradas se multiplicavam, “O Código Da Vinci” se tornava um dos mais ilustres e perfeitos exemplos do velho ditado que move roqueiros desde o requebrar de Elvis Presley: “falem mal, mas falem de mim”. A trajetória do livro não apenas enriqueceu o escritor norte-americano – a revista Forbes estima que ele faturou US$ 70 milhões apenas com os lucros diretos das vendas nas livrarias – mas também milhares de empresas e indivíduos envolvidos, direta ou indiretamente, nas estratégias de comercialização do romance.

É o caso da editora brasileira Sextante. Em 2003, a então obscura empresa nacional pagou apenas US$ 12 mil pelos direitos do livro. Três anos e um milhão de cópias depois, já movimentou pelo menos U$ 15 milhões, entrando sem escalas para o rol das 20 maiores editoras do país. É do editor Geraldo Pereira, aliás, a frase que ajuda a explicar de modo mais sucinto o fenômeno do romance de Dan Brown: “É um Harry Potter para adultos”. Nada menos do que isso.

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