O Código Da Vinci: As Teorias

17/05/2006 | Categoria: Outros textos

Conheça as teorias conspiratórias que batem ponto no enredo do livro e do filme

Por: Rodrigo Carreiro

Embora seja bastante simples, a trama de “O Código Da Vinci” deixa a impressão de ser bastante intrincada. A culpa é do escritor Dan Brown: ao incluir no livro diversas teorias conspiratórias, envolvendo inúmeros personagens históricos reais, sociedades secretas e instituições seculares, ele agregou um número de detalhes impressionante à história. Todas essas teorias, afinal, são repletas de minúcias e informações históricas (algumas verídicas, outras inventadas).

O recurso foi utilizado pelo romancista norte-americano para montar um quebra-cabeça fascinante. Dessa forma, ele conseguiu transformar a trama mais básica da um thriller de suspense – um casal que investiga um assassinato – em uma espécie de jogo de xadrez, envolvendo uma seqüência interminável de enigmas, em que a solução de uma charada leva à próxima, e assim por diante. Em “O Código Da Vinci”, nada é o que parece ser, as reviravoltas são muitas e não dá para saber como tudo vai acabar.

Neste texto, você confere um panorama rápido sobre as peças mais importantes deste quebra-cabeça. Conhece a linha básica da história e as teorias conspiratórias que ela envolve, aprendendo também o que é realidade, o que é exagero e o que é ficção na trama escrita por Dan Brown.

» Jesus Cristo e Maria Madalena


A tese central do enredo está assentada na teoria de que Jesus Cristo não morreu na cruz. Ele teria escapado na perseguição romana e casado com Maria Madalena. O casal teria tido filhos, cuja descendência continua até os dias de hoje. Diversos especialistas e historiadores já investigaram essa teoria, que surgiu em meados do século XX, mas uma prova conclusiva de que ela pode ser verdadeira jamais foi encontrada.


 


» Opus Dei


Braço ultra-conservador da Igreja Católica, foi fundado em 1928 pelo padre espanhol Josemaria Escrivá de Balaguer. A instituição é governada de Roma (a sede de Nova York, citada por Dan Brown, realmente existe, mas está em segundo plano, com função mais financeira) e prega a fé católica pura. Os seguidores mais radicais adotam a prática da autoflagelação. Na trama, a Opus Dei é a instituição que recebe do papa, secretamente, a incumbência de recuperar o segredo sobre o Santo Graal, inclusive derramando sangue inocente, se for preciso.

» Santo Graal


Não há um consenso entre os historiadores sobre o que seria realmente o Santo Graal. A teoria mais aceita é de que seria o cálice no qual Cristo serviu-se de vinho na última ceia. Dan Brown renega essa teoria. Para ele, a expressão é uma corruptela de Sang Real, que significa “Sangue Real”. Desse modo, o Santo Graal seria a família contemporânea de descendentes verdadeiros de Jesus Cristo. O escritor também aceita que uma sociedade secreta, chamada Priorado de Sião, possa estar mantendo um tesouro, incluindo documentos e objetos que provariam o casamento de Cristo com Maria Madalena.


» Priorado de Sião


Esta sociedade secreta teria sido criada em 1099, com a finalidade de proteger a linhagem de Cristo. Entre os integrantes, estariam nomes famosos, como os pintores Leonardo Da Vinci e Sandro Botticelli, o maestro Claude Debussy e o físico Isaac Newton. São informações citadas por Dan Brown, que cria o ponto de partida da trama a partir do assassinato do atual grão-mestre da instituição, Jacques Saunière. Ele é morto por um monge da Opus Dei, que pensa ter descoberto do segredo do Santo Graal. Mas nada disso tem fundamento. Na realidade, o Priorado de Sião foi fundado em 1956, por um grupo de amigos franceses. Eles tentaram forjar documentos e acabaram processados por falsidade ideológica. Não existe prova de que seus membros tenham alguma relação com o Santo Graal.


 


» Leonardo Da Vinci


O mais famoso pintor renascentista é apontado como Dan Brown como um dos mais proeminentes integrantes históricos do Priorado de Sião. Leonardo teria incluído mensagens ocultas em várias obras, dando pistas sobre a existência do verdadeiro Santo Graal, e também ressaltando a briga de Cristo com São Pedro, fundador da Igreja Católica, e a verdadeira mensagem do Messias, que valorizava o poder sagrado das mulheres. Obviamente, nada disso faz sentido do ponto de vista histórico.


 


» A Última Ceia


O afresco foi pintado em Milão, entre 1494 e 1498. A igreja onde ele se encontra recebe 400 mil visitantes por ano, e essas pessoas só podem observar a pintura por 15 minutos. Na interpretação de Dan Brown, a informação secreta é a presença de Maria Madalena sentada ao lado de Cristo no quadro (ela seria a figura andrógina que os historiadores consideram como São João). Juntos, os corpos dela e de Jesus formariam um M, de “matrimônio”. São Pedro estaria fazendo uma pose ameaçadora à suposta esposa de Cristo. Os maiores especialistas em Da Vinci duvidam dessa interpretação, assegurando que não existe mensagem oculta no quadro.

» Mona Lisa


Dan Brown assegura que o nome do mais famoso quadro de todos os tempos, pintado entre 1503 e 1506, é um anagrama dos deuses egípcios Amon e Ísis. O quadro seria uma representação física da harmonia entre o masculino e o feminino, simbolizada pela figura andrógina de sorriso enigmático. Essa harmonia seria o elemento mais importante da verdadeira mensagem deixada por Cristo, uma mensagem escondida por séculos pela Igreja Católica. Novamente, os especialistas em Da Vinci discordam da teoria. Dizem que a Mona Lisa é um quadro esteticamente perfeito, mas sem qualquer segredo oculto.

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