O Código Da Vinci: O Autor

17/05/2006 | Categoria: Outros textos

Conheça a história de Dan Brown, o músico fracassado que virou escritor pop star

Por: Rodrigo Carreiro

No longínquo verão europeu de 1983, o então estudante universitário norte-americano Dan Brown passava uma temporada estudando História da Arte, em Sevilha (Espanha), quando começou a demonstrar um interesse anormal pela obra do mestre renascentista Leonardo Da Vinci. Ele mesmo estranhou o motivo do interesse. È que, na época, não foram as virtudes técnicas do pintor que chamaram a atenção de Dan Brown, mas as charadas que Da Vinci insistia em colocar nos quadros. Aquela curiosidade ficou na memória de Brown por muito tempo, adormecida. Anos depois, seria o ponto de partida de um dos maiores fenômenos literários de todos os tempos.

Na época, Dan Brown não era escritor, mas um jovem indeciso que ainda não havia escolhido uma profissão. Ele não sabia se queria ser compositor, historiador de arte ou escritor. Começou por cursar História da Arte, que iniciou na Universidade de Amherst. Foi durante essa época que teve a oportunidade de passar uma temporada na Espanha, freqüentando disciplinas para o curso que havia escolhido. Começava, ali, outra das grandes paixões de Dan Brown: viagens pela Europa.

O futuro escritor mais bem-sucedido de sua geração sempre respirou arte, desde a infância. Filho de um professor de matemática com uma compositora de música sacra, Dan Brown cresceu na pequena cidade de Exeter, no estado de New Hampshire (EUA). O ambiente em casa o levou a formar uma personalidade que equilibrava, em partes iguais, interesses conflitantes por ciência e religião. Do pai, herdou o gosto por números, cálculos e equações matemáticas, o que desembocaria numa paixão obsessiva por criptografia, a arte de decifrar códigos. Da mãe, veio a religião católica e a crença de que um mundo científico era possível, sim, com a presença de Deus. Ambos os lados, o espiritual e o material, apareceriam com força na escolha dos temas dos livros que escreveria.

Brown estudou no colégio onde o pai dava aulas, o Phillips Exeter Academy (em 2004, já rico, o escritor doaria US$ 2,2 milhões à instituição, como forma de retribuir o conhecimento adquirido lá). Graduou-se em 1982. Na universidade, conheceu e casou com Blythe, uma pintora e fanática, como ele, pelos grandes mestres das artes plásticas. Depois, ela passaria a ser a responsável pelas pesquisas históricas dos futuros romances dele. Antes de virar escritor, porém, Brown ainda tentou a vida em Hollywood, na Califórnia, como músico. Nessa área, seu maior feito foi emplacar uma canção no programa oficial dos jogos olímpicos de Atlanta.

Enquanto isso, a outra paixão – livros de suspense – estava congelada. Em 1993, percebendo que não conseguiria grande destaque como músico, Dan decidiu tentar outra carreira. Voltou a New Hampshire e foi dar aulas de inglês no antigo colégio de infância, enquanto meditava sobre o rumo a tomar. No ano seguinte, durante férias no Taiti, ele lia um thriller de Sidney Sheldon quando teve uma epifania. “Achei que tinha inteligência suficiente para bolar uma trama tão inventiva”, avaliou. Brown achou que seu interesse em criptografia poderia ajudar na tarefa, e começou a considerar seriamente a idéia de se dedicar integralmente à literatura.

Fez, então, um teste: escreveu um livro de humor em parceria com a esposa. Queria saber se escrevia com qualidade. A brincadeira se chamou, em inglês, “187 Men to Avoid: A Guide for the Romantically Frustrated Woman” (algo como “187 Homens a Evitar: um Guia para Mulheres Românticas Frustradas”). Não fez sucesso, mas Dan Brown ganhou confiança. Na época, ele desenvolveu um método de trabalho exótico, começando a escrever, diariamente, às 4h da manhã, e fazendo sessões de meditação de cabeça para baixo, nos momentos em que precisava criar os elementos mais intrincados das tramas. Até hoje, ele acha que o isolamento e a posição bizarra ajudam na criatividade.

Antes de deixar o emprego para se dedicar à literatura em tempo integral, Brown ainda teve tempo de pescar no campus a idéia para seu romance de estréia. Atuando como professor de inglês, Dan Brown testemunhou, dentro da sala de aula, um aluno ser detido por dois homens do serviço secreto norte-americano, por ter enviado um e-mail de brincadeira a um colega, avisando que queria matar o presidente Bill Clinton. O escritor descobriu, com o incidente, que o Governo dos EUA monitorava a correspondência eletrônica das pessoas, e achou que o tema daria um bom romance misturando intriga política e espionagem. “Fortaleza Digital” foi lançado em 1998. O romance estabeleceu o nome de Dan Brown como um autor de thrillers promissor.

O resto é história. Nas férias seguintes, durante uma viagem ao Vaticano, Brown ficou fascinado ao descobrir que a cidade sagrada da Igreja Católica é cortada por túneis, catacumbas e passagens secretas – e isso rendeu o pano de fundo do livro seguinte, “Anjos e Demônios” (2000), primeira aparição do professor de Simbologia Robert Langdon, protagonista de “O Código Da Vinci”. Na mesma viagem, Dan Brown reencontrou a obra de Da Vinci. A trama do livro mais vendido do século XXI começava, ali, a germinar na cabeça do autor. Mas só uma passagem pelo museu do Louvre, um ano depois, o convenceu de que aquilo daria um livro. “O Código Da Vinci” ainda esperaria um tempo antes de ver a luz do dia.

Cheio de idéias, Brown escreveu, em 2000, outro livro baseado em pesquisas já prontas (“Ponto de Impacto”, publicado em 2001, versa sobre outra agência secreta do Governo dos EUA), e só então tirou um ano de folga para trabalhar na nova idéia. Então, viajou para Paris, onde recomeçou a reestudar Da Vinci a partir de uma turnê pelo museu do Louvre. Dois anos depois, em março de 2003, “O Código Da Vinci” iniciava sua avassaladora passagem pelas livrarias do globo. Foi aí que Dan Brown virou milionário e entrou para a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time. Nada mau para um cara que terminou o colégio sem saber o que queria fazer da vida.

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Tags: ron howard

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Um comentário
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  1. aodrei o filme .beijinhosssss

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