O Código Da Vinci: Os Bastidores

17/05/2006 | Categoria: Outros textos

Briga de atores por papéis, negociações complicadas e muito sigilo marcaram as gravações do filme

Por: Rodrigo Carreiro

Você sabia que o herói de “O Código Da Vinci”, Robert Langdon, quase foi parar na série de TV “24 Horas”? E que o inspetor francês Bezu Fache, um dos personagens mais importantes do livro, foi baseado no ator Jean Reno, depois contratado para vivê-lo no cinema? E que a Abadia de Westminster, em Londres, onde uma importante seqüência do livro ocorre, teve que ser substituída por outra catedral famosa, porque os administradores do lugar não consideraram “teologicamente apropriado” que a abadia servisse de cenário para um filme tão polêmico?

Estas são apenas algumas das curiosidades que cercaram a realização de “O Código Da Vinci”, um dos filmes mais ansiosamente aguardados por cinéfilos de todos os continentes, em qualquer época. A produção, de US$ 125 milhões, agitou os bastidores da comunidade cinematográfica entre julho e dezembro de 2005, quando as cenas principais foram rodadas. Mas o falatório em torno do filme começou muito antes, já que algumas das principais estrelas de Hollywood disputaram os papéis principais quase à tapa.

Na verdade, a indústria cinematográfica pôs o olho grande em “O Código Da Vinci” ainda no primeiro semestre de 2003, logo após o lançamento. Na época, o criador do seriado “24 Horas”, Joel Surnow, achou que o livro daria uma grande história para a terceira temporada da série, que começaria em outubro. Como a trama se passa em tempo real e dura pouco menos de um dia, Surnow achou que poderia introduzir o agente Jack Bauer no enredo. Falou então com o chefe, o produtor Brian Grazer, que tentou comprar os direitos do romance. Mas o escritor Dan Brown recusou a oferta. Já previa o sucesso do livro e acreditava que ele renderia melhor se transformado em filme.

Estava certo, claro. Não demorou muito para que os estúdios de Hollywood começassem a brigar para adquiri-lo. Foram alguns meses de negociações nervosas, até que a Sony venceu a batalha, pagando a fortuna de US$ 6 milhões pelo direito de transformá-lo em filme. A pré-produção não demorou a começar. Curiosamente, o produtor contratado para chefiar o projeto foi exatamente Brian Grazer. Ele não titubeou: chamou o velho amigo Ron Howard para dirigir e o roteirista Akiva Goldsman para escrever o roteiro. Os três já formavam uma parceria de sucesso. Todos ganharam Oscar por “Uma Mente Brilhante” (2001), por exemplo.

O passo seguinte, já em 2004, foi escalar o elenco. E o processo começou na surdina, bem ao estilo do discreto Ron Howard. Ele convidou Bill Paxton (“Titanic”, “Um Plano Simples”) para viver o professor Robert Langdon, protagonista da trama. Paxton, um dos sujeitos mais azarados de Hollywood, estava com a agenda cheia e não pôde aceitar. Na dúvida, Howard iniciou um período de especulações, no qual atores como Russell Crowe, George Clooney, Hugh Jackman e Ralph Fiennes duelaram pelo papel. O rosto de Robert Langdon, no entanto, acabou nas mãos de um velho favorito de Ron Howard: o astro Tom Hanks, que já tinha feito “Apollo 13” (1995) com o diretor.

Para a vaga de Sophie Neveu, houve outra disputa encarniçada. Quase todas as atrizes francesas com penetração em Hollywood brigaram pela vaga de parceira de Robert Langdon. Nomes de fama, como Sophie Marceau e Julie Delpy, estiveram muito perto de conseguir o emprego, chegando inclusive a fazer testes, mas a escolhida acabou sendo Audrey Tautou (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”). Com menos polêmicas, o resto do elenco foi sendo encaixado: o inglês Paul Bettany topou pintar o cabelo de branco para virar o albino Silas e Alfredo Molina (“Homem-Aranha 2”) virou o bispo Manuel Aringarosa. Para o papel de Sir Leigh Teabing, um Cavaleiro do Império Britânico também na vida real: Sir Ian McKellen. Por fim, o ator agraciado com o papel do inspetor Bezu Fache foi um pedido especial de Dan Brown: Jean Reno, ator francês em que o escritor norte-americano se inspirou para criar o personagem.

Finda a escalação do elenco, a dor de cabeça estava longe de terminar. Devido à peculiaridade da trama, que se passa quase inteiramente em locais históricos verdadeiros, a produção teve que negociar com nada menos que doze locações. Topou pagar US$ 24 mil por dia para filmar no Museu do Louvre. Teve o pedido para gravar cenas na Abadia de Westminster negado pelos padres que administram o local, irritados com as “heresias” do livro (a Lincoln Cathedral substituiu a Abadia nas filmagens). Precisou montar um cerco gigante de seguranças para afastar os curiosos das gravações na capela Rosslyn, em Edimbugo (Escócia). E conseguiu acesso surpreendente aos seculares Temple Church, em Londres, e Belvoir Castle (antiga residência papal), também na Inglaterra. Tudo no maior sigilo.

Por causa de tantas filmagens em locação, onde o número de cenas registrado por dia costuma ser bem reduzido devido a fatores que fogem do controle da produção (a presença do público, as condições climáticas e de iluminação, os ruídos nos sets), as gravações duraram mais do que o normal, se estendendo de julho a dezembro de 2005. Mas no final, tudo deu certo. E “O Código Da Vinci” promete entrar na história como um dos longas-metragens mais assistidos de todos os tempos. É ver para crer.

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Tags: ron howard

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