Sin City – Os bastidores

27/07/2005 | Categoria: Outros textos

Produção de Robert Rodriguez tem visual sofisticado diferente de tudo o que você já viu

Por: Rodrigo Carreiro

O filme nem havia estreado ainda, mas o diretor Robert Rodriguez (“Era Uma Vez no México” e a série “Pequenos Espiões”) já estava sendo chamado pela imprensa especializada de um dos grandes inovadores do cinema do século XXI. Ele organizou uma empretada arriscada. Por US$ 40 milhões, orçamento pequeno para uma aventura repleta de efeitos especiais, Rodriguez escreveu, produziu, dirigiu e editou o longa-metragem “Sin City”, produção baseado em uma das mais famosas séries de histórias em quadrinhos adultos.

A maior inovação de “Sin City” é gráfica: os atores filmaram todas as seqüências em uma sala verde. Até aí, nada de novo. Só que o filme inteiro foi feito assim. A técnica revolucionária é a mesma usada para produzir “Capitão Sky e o Mundo do Amanhã”. E mais: os cenários acrescentados não desejavam ser realistas, mas tentavam emular uma das mais radicais revistas em quadrinhos já produzidas.

A série “Sin City”, de Frank Miller, é única. Os gibis possuem desenhos arrojados, pois Miller não utiliza tons de cinza – ele pinta apenas utilizando preto e branco, sem meios-tons. Em alguns casos, um ou outro personagem possui uma cor (caso do “Assassino Amarelo” de uma das historias que estará no filme, que é interpretado por Nick Stahl todo pintado de amarelo, no papel de um homem que está apodrecendo e continua vivo).

Rodriguez foi ousado. Sabendo que Frank Miller não desejava ver a série no cinema, ele chamou o amigo ator Josh Hartnett e a atriz Marley Shleton, e filmou um curta-metragem com uma das histórias mais simples ambientadas na cidade. Eram apenas três minutos da trama. Então, editou tudo, colocou os efeitos especiais no estúdio caseiro que possui, no Texas (EUA), em uma semana, e chamou Miller para ver o resultado.

O resultado foi tão bom que Miller não apenas autorizou o filme, mas também entrou no projeto como co-diretor. O trabalho dele foi garantir que cada tomada fosse uma réplica exata dos quadrinhos. Rodriguez ainda chamou o chapa Quentin Tarantino para dirigir uma seqüência de bate-papo dentro de um carro, localizada no início do segundo episódio. Tarantino, que havia ganhado a trilha sonora de “Kill Bill” de presente de Rodriguez, retribuiu o favor e dirigiu a cena sem cobrar nada.

O filme narra três histórias paralelas, cada uma baseada em uma minissérie publicada sob o título da série: a história original que deu origem à saga, “Cidade do Pecado”, mais “A Grande Matança” e “O Assassino Amarelo” . Todas essas revistas saíram no Brasil em edições de luxo, encadernadas; a primeira pela Editora Globo, e as outras pela Panini Editora.

Para criar a cidade suja, áspera e violenta que envolve os personagens, Rodriguez teve que contratar três empresas de computação gráfica. Cada empresa cuidou de uma história. Assim, a canadense Hybride Technologies fez as 600 tomadas de “Cidade do Pecado”, a CafeFX, de Santa Monica (EUA), produziu outras 600 para “A Grande Matança”, e a sucursal de San Francisco da empresa Orphanage criou as 600 tomadas de “O Assassino Amarelo”.

Cada empresa foi liberada por Rodriguez para criar sua técnica específica de criação dos cenários virtuais. O cineasta, no entanto, foi detalhista naquilo que pediu: desejava um mundo cartunesco, de gibis, que emulasse o estilo radical de Frank Miller, com grandes porções de sombra e luz e poucos tons intermediários.

O mundo de “Sin City” é uma espécie de estilização dos filmes noir dos anos 1940. Robert Rodriguez queria homenagear o passado, mas apontando para o futuro. Assim, colocou Frank Miller trabalhando diretamente com as empresas de computação gráfica.
A Orphanage explica que Miller desenhou imagens muito detalhadas em preto e branco e depois pintou as silhuetas, para inspirar os cenários que os técnicos deveriam criar.

A empresa de San Francisco fez a sua parte em duas etapas. Na primeira, cirou todos os cenários modelando objetos cênicos em três dimensões. Depois, utilizou um computador especial, chamado Brazil, para dar efeitos de iluminação e eliminar os tons cinzentos.
A maior dificuldade, segundo a empresa, eram exatamente essas tonalidades intermediárias. Para evitar que os cenários ficassem excessivamente cartunescos, os programadores tiveram que cobrir objetos e locais com grandes quantidades de sombra e escuridão.

» Elenco
O elenco de “Sin City” é uma constelação de astros: Bruce Willis, Elijah Wood, Clive Owen, Brittany Murphy, Rutger Hauer, Benicio Del Toro, Michael Madsen, Jessica Alba, Michael Clark Duncan, Rosario Dawson, Mickey Rourke, Carla Gugino, Nick Stahl e Josh Hartnett. E isso é apenas o começo.

Mickey Rourke, com o rosto coberto de bandagem e esparadrapo, é o protagonista do primeiro segmento do filme e centro emocional da história. Ele interpreta o grandalhão violento Marv, personagem que aparece como figurante na segunda parte, “A Grande Matança”, capitaneada por Clive Owen e Benicio Del Toro (este irreconhecível embaixo de pesada maquiagem). Bruce Willis é o nome principal da terceira história.

“Sin City” é uma produção da Dimension Films e do Troublemaker Studios. A série original de gibis não tem personagens principais fixos; cada minissérie possui um protagonista diferente. Eles se tornam coadjuvantes em outras histórias, desaparecem, depois retornam e somem de novo. O elo que une as histórias é a cidade do título, uma metrópole suja e corrupta, inspirada nos antigos filmes noir.

Os personagens são tiras, prostitutas, chefões da máfia. Os diálogos são secos, cheios de gírias e palavrões. O cinismo é a palavra de ordem. A cidade é como a Los Angeles dos antigos filmes noir, sem cor. No filme, as cores são esparsas: olhos de um personagem, luzes de um carro, um vestido, a chama de um tiro aparecem como pontos de alívio colorido dentro de um todo escuro, opaco e opressor.

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